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sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Projeto de carioca transforma a vida de ribeirinhos no Pará


Os próprios moradores construíram a escola de São Miguel Foto: Divulgação

Para os alunos da comunidade ribeirinha São Miguel, na cidade paraense de Portel, na Ilha de Marajó, a tarefa mais complicada era chegar à escola. A educação estava distante: pelo menos duas horas de barco até o colégio mais próximo. Este ano, a realidade mudou, com o apoio do carioca Luiz Carlos Guedes, o Luti, de 21 anos. Foi com ele que os moradores aprenderam que podiam se mobilizar e transformar desejos em realidade. Assim, se uniram e construíram uma escola que atende da creche ao ensino fundamental, com cerca de 100 alunos de São Miguel e outras comunidades próximas. Essa foi só a mais recente das realizações do Lute Sem Fronteiras na região.

Portel é um município em que mais da metade dos 52 mil habitantes vive em comunidades à beira de um dos quatro rios que cortam a cidade. A viagem do Rio de Janeiro até lá é longa. São cinco horas de avião até Belém e mais 20 de barco até Portel. São Miguel está mais cinco horas adiante.
Luti tinha 16 anos quando botou os pés por lá pela primeira vez. Ele foi com a escola numa excursão e sentiu que precisava fazer algo para ajudar aquelas pessoas. Eram, diz ele, as “mais incríveis” que já conheceu. O rapaz conseguiu, dois anos depois, fundar o Lute Sem Fronteiras, um dos 40 casos de sucesso que vão estar no encontro Educação 360, realizados pelos jornais EXTRA e “O Globo”, sexta e sábado.

Nos ultimos três anos, o carioca foi a São Miguel umas 15 vezes. Os projetos são financiados com arrecadação pela internet e ajuda de amigos.

— A missão é fazer com que o ribeirinho seja o responsável pelo desenvolvimento local. É viabilizar a mudança de pensamento: ele deixa de se ver como vítima e se coloca na posição de agente de mudança — explica o rapaz, estudante de Direito da PUC-Rio.

Luti bota a mão na massa e ajuda na construção das bibliotecas Foto: Divulgação
A primeira ação do Lute Sem Fronteiras foi a abertura de uma biblioteca em São Miguel. Hoje, há mais quatro unidades em outras comunidades da região. Depois, os ribeirinhos quiseram criar hortas comunitárias. A Lute Sem Fronteiras, então, levou uma engenheira agrônoma até lá para ensinar as técnicas. O desafio seguinte foi o da escola. A comunidade identificou essa necessidade, Luti aceitou o desafio, e o projeto foi para frente. A mão de obra foi toda dos moradores, e o dinheiro chegou através de doações pela internet e do círculo social do carioca.
— Sou quem faz eles tirarem os pés do chão e se permitirem sonhar — explica Luti.

O próximo objetivo é criar um poço para criação de peixes. O modelo vai ser o mesmo usado nas hortas comunitárias. Um especialista vai ao local e, depois, a comunidade replica o conhecimento para outros lugares. Daqui do Rio, Luti comemora a realização do seu próprio sonho.

— Os ribeirinhos me deram a noção de que posso fazer as coisas — resume.

Fonte: boainformacao
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