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terça-feira, 9 de outubro de 2012

Abstenção nas urnas: motivação e descontentamento


Chegaram ao fim as eleições mais tumultuadas de todos os tempos em Portel e, com elas, uma farra de dinheiro nunca vista antes, mas que, por trás de tudo isso, provocou uma série de estragos. Pessoas se agrediram verbalmente, amizades foram desfeitas, religiões foram debatidas num contexto político e alguns candidatos até tiveram que entregar patrimônios a financiadores de campanha. Mas não é só isso. Tem candidato que pode até ser preso... Mas este não é o foco da postagem. Pelo contrário, investigar os motivos pelos quais o eleitor não comparece aos locais de votação.

Por todo o país, 22,7 milhões de eleitores deixaram de votar, ou seja, 4 milhões a mais que em 2008. O Brasil conta hoje com 138,5 milhões de eleitores, alcançando um nível histórico de 16,41% de abstenção. O estado que apresentou o maior índice de abstenção foi o Maranhão, com 19,62%, enquanto que Sergipe obteve a menor: 7,01%.

No Pará o índice também foi alto, com 17,87%. Mas o absurdo fica por conta das cidades. No município de Portel, por exemplo, 26,54% dos eleitores deixaram de votar, ou seja, 8.158 pessoas não compareceram às urnas, o que daria para eleger um prefeito, já que o candidato do PP, Paulo Oliveira, foi eleito com 7.229. O que estaria acontecendo com os nossos eleitores?

Não existe motivação para participar da escolha de um representante popular. Em tempos passados, as pessoas iam às ruas, de bandeira na mão sem a necessidade de serem pagas para isso. Hoje, o quadro se inverteu. Grande parte da população não acredita nos governantes, inclusive há aqueles que dizem que é melhor pegar alguma coisa em troca do voto porque depois da eleição o eleitor é esquecido. A insatisfação é tanta que a Câmara Municipal foi totalmente reformada, sendo que apenas dois vereadores tiveram seus cargos mantidos: Manoel Maranhense e Preto da Marina. E estes se salvaram devido a velha prática do assistencialismo, pois projeto mesmo não existe para contrariar essa opinião.

Olhando a mídia nacional, vê-se um número enorme de publicações afirmando que o eleitor não quer mais o voto obrigatório. Ora, quais são as bases para tais afirmativas? Não seria mais uma questão de participação e formação política ou até de falta de informação aliada a um nível alto de analfabetismo? Há, no entanto, aqueles que defendem o descontentamento, aí eu estou incluso grupo, e também o da motivação. Os mais afoitos, aqueles que ficam mais próximos do candidato, têm reais motivações para trabalhar 24 horas, viajar, participar de comícios, passeatas, etc. A grande massa não. Os cargos estão exauridos com a ocupação através de concurso público. Aquela mão de obra sem qualificação não vê reais motivos para votar nem fazer campanhas.

Acredita-se que a ausência de votantes pode estar relacionada à falta de esperança em mudanças proporcionadas pelos representantes do legislativo e do executivo. Isso está acontecendo a nível de Brasil, pois desde a abertura política após a queda da ditadura e o advento da Constituição Cidadã, as pessoas depositaram a confiança em pessoas que espelham a maioria dos necessitados em figuras como Lula. O grande presidente, nascido da classe operária chega ao poder para se tornar uma das maiores lideranças mundiais, mas acaba em escândalo, tanto é que o Supremo ainda está julgando e condenando réus petistas no caso mensalão.

Ao trazer essa tese ao nível municipal, vemos a descrença da população mesmo tendo 6 candidatos. Os mais eufóricos eleitores, que são os jovens, participaram das várias frentes de campanha, com direito a gasolina, dinheiro e, também típico dessa fase, prazeres como a bebida, tudo patrocinado por todos os candidatos, sem distinção. Apesar de tanta barulheira, o eleitor sério, aquele que presta atenção nas propostas do candidato, não foi contemplado com um candidato que expressasse verdadeiramente seus anseios. Mesmo que existam candidatos melhores entre os piores, e olha que eram seis, as mentiras e as práticas nocivas imperaram, distorcendo a imagem de alguns em algo podre, satânico, irremediavelmente inescrupuloso, a ponto de líderes religiosos entrarem na briga que, mesmo amparados em dados estatísticos e denúncias aos órgãos oficiais, ainda tiveram suas imagens, eles próprios, como se pertencessem ao nicho dos políticos imprestáveis.

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