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quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Encontro Inter-núcleos na cidade de Portel: Projeto Mapeamento Social como instrumento de gestão Territorial contra o desmatamento e a devastação em atividade na Ilha do Marajó


O Encontro Inter-Núcleos com o tema "Conflitos socioambientais em Reservas Extrativistas e Projetos de Assentamento Agroextrativista na Ilha de Marajó" resulta de uma articulação e construção de mais de oito meses que tem como nota diferenciadora estar sendo realizado na sede do município de Portel, uma pequena cidade, o que o torna diferente dos já realizados no circuito das capitais de Estados da Amazônia ou de cidades medias. Retomamos que no Pará já ocorreram dois eventos – a Reunião Preparatória em Marabá (4 a 6 de setembro) e o Encontro Regional em Belém (21 a 23 de setembro de 2012). Os eventos anteriores nos quais pesquisadores e movimentos sociais estiveram mobilizados para debater estes temas na ilha de Marajó foram às reuniões acompanhadas de trabalho de campo em Breves, Portel e Melgaco (fevereiro 2012), em Cachoeira do Arari (19 a 21 abril 2012). Igualmente, debateram-se realidades localizadas da Ilha de Marajó no Encontro Regional sediado em Macapá, também nos dias 24 e 25 desse ultimo mês. A situação dos pescadores da RESEX Marinha de Soure; as reivindicações dos quilombolas de Salvaterra, os conflitos com o agronegócio (monocultivo de arroz na várzea) que se inicia no município de Cachoeira do Arari. Assuntos que tiveram espaço priorizado no Encontro Regional Inter-Nucleos de Macapá.

Em Portel as atividades do Projeto encontraram apoio na SEMED – Secretaria Municipal de Educação do Município de Portel, o que reitera a colaboração anterior, em fevereiro. O fato é muito positivo, pois temos cinco professores com função de diretor, coordenadoras pedagógicas e Técnicas vinculados a Educação do Campo participando ativamente nestes dias 02 e 03 de outubro.

Para o Encontro foram convidados os dirigentes das comunidades de São Tome de Tauçu, São Miguel, Nossa Senhora da Aparecida, situadas no rio Acutipereira, município de Portel. Do quilombo de São José da Povoação, localizado no rio Mutuaca (Curralino), conta-se outro grupo de participantes. A Secretaria do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Portel tomou parte do evento.

O Sr. Antônio Vaz – Diretor de Agroextrativismo do Município de Portel e que trabalha na zona rural com grupo de jovens abordou o quadro realista da exploração da madeira local durante mais de 40 anos e indagava: "qual foi o ganho social para Portel de retirar quase toda a madeira e acabar com essa riqueza, O que ainda continua sendo feito? Nossa madeira continua sendo tirada e não fica nenhum ganho social. A madeira de Portel não agregou nenhum valor".

A senhora Justa Pantoja de Oliveira relatou que em 1997 foi criado um decreto municipal em Curralinho que proibia o corte de palmito. Foi aprovada igualmente a proibição de corte de madeira fina, mas "para esbandalhar esta lei foi aprovada outra lei que liberou o uso de motosserra". A senhora Justa e membro da Associação de Remanescente de Quilombo de São José da Povoação que luta há oito anos pelo titulo coletivo. O pedido do Certificado de Reconhecimento pela Fundação Cultural Palmares solicitado por essa Associação há mais de um ano, ainda não foi atendido, mostrando o descaso com as reivindicações do grupo que como outros quilombolas aguarda da burocracia do Estado brasileiro uma ação condizente.

Deste grupo parte a negativa de aceitar a politica da Bolsa Verde, pois consideram que sua luta é pelo território e com a bolsa tornam-se dependentes. Nos comentários de Raimundo Elinaldo de Jesus, também membro dessa Associação e Coordenador Regional da MALUNGU é feita a critica a essa politica, pois ela vem de cima para baixo e não se analisam seus efeitos. Exemplificou com o fato de que as pessoas recebem a bolsa verde e compram um motor para a canoa, com isto precisam fazer a despesas com a gasolina. A única forma de ter dinheiro para compra-la é cortar madeira.

O Encontro continua com o Curso Introdutório de GPS, elaboração de croqui preliminar do rio Acutipereira e o território do quilombo São José da Povoação. O rio Acutipereira será objeto de uma visita para fazer georreferenciamento de povoados e realização de entrevistas.

Fonte: Nova Cartografia Social
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