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quarta-feira, 27 de março de 2013

Comunidade mais organizada de Portel refuta aula aos sábados e feriados

Texto editado no sábado, 23

Estive na Vila Boa Vista neste fim de semana, sábado, pra ser mais preciso. Fui com o único fim de buscar minha esposa que trabalha naquela comunidade, a mais antiga professora da região do Acutipereira. Fiquei surpreso com a atitude da comunidade.

O sábado é usado para venda de produtos na cidade. Alunos se dedicam a roças. Nos feriados, especialmente religiosos, ainda são muitos que se dedicam a religiosidade. Até quando morre um parente, eles ficam de "regime", ou seja, não vão a roça nem à caça. Romper com essas tradições seria a mais bruta das ofensas à cultura das populações tradicionais.
Pais, alunos e professores se reuniam para debater a questão das aulas aos sábados e feriados. Pelo que entendi, as pessoas dali não querem que seus filhos estudem nos sábados. E que também os feriados religiosos sejam respeitados. Tratavam, nesse ponto, sobre a quinta-feira e o feriado da Sexta Feira Santa. Estranhamente a SEMED impôs ao diretor da escola que haja aula na quinta-feira Santa por causa do ano letivo ter iniciado tardiamente. A decisão, vinda da coordenadora das escolas da zona rural, Janice Moura, contraria o posicionamento do prefeito Paulo Ferreira, que editou o decreto nº 169, enviado às escolas da sede do município. Será que essa mulher não aprende mesmo a respeitar o povo do interior?

Joga na água

Uma diretora do polo que se meteu a besta foi logo advertida a não mexer demais com os professores mais queridos da região. Avisada de que seria atirada na água, a diretora ousou desembarcar no trapiche da escola e um dos moradores pôs o pé direito no casco da lancha e avisou: "Se descer, te jogo na água". O motorista da lancha recuou imediatamente e voltou para a sede do município.

Comunidade organizada

Tida como uma comunidade que está na região rural mais politizada de Portel, os ribeirinhos foram capazes de lutar bravamente pela manutenção do emprego das serventes da comunidade. Por imposição da SEMED, algumas agricultoras quase perdem o emprego para dar lugar a uma pessoa da cidade. Não aconteceu porque todo o rio se reuniu. Impressionante como todas as comunidades do rio se reuniram para impedir tanto a exoneração de uma servidora e moradora da vila como também impediram a volta de um professor que não deu muito certo por lá.

Ainda assim, ao conversar com um dos comunitários, vê-se em suas palavras que muito precisa melhorar. Ele disse: "Mexeram com as serventes e o rio inteiro se manifestou. Quanto a professor, eles podem fazer o que quiserem". Nessa conversa, tentei dissuadi-lo da ideia, posto que a colocação de professores desqualificados pode gerar sérios danos, tais como a lacuna na alfabetização que apresenta números nada satisfatórios, com alunos do 4º ano sem saber ler.

Controle da merenda escolar

Se no início da implementação do antigo FUNDEF (hoje FUNDEB) as diretorias de escolas distribuiam a sobra da merenda mensal às famílias, atualmente é o inverso. Diretores são orientados pela SEMED a devolver o resto com um relatório. Não se sabe se essa orientação vai servir de alguma coisa, já que a merenda escolar não dá nem pra 15 dias. Como sobraria alguma coisa assim?

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