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domingo, 20 de março de 2016

Portel: Professora dá aula pra mais de 40 alunos no Acutipereira



Escola funciona no Centro Comunitário: Mocajatuba
Que o Acutipereira anda abandonado, não resta dúvidas. Vou dividir esta postagem em duas partes: uma que trata da educação e a outra da energização. Começarei por esta última, porque é mais curta.


Foi o povo dali da estrada que me falou que todo o material deixado por Pedro Barbosa para eletrificar a região do Baixo Acutipereira acabou sendo levado para fornecer energia para o bairro da Portelinha. Embora já tenha havido reunião com o vice-prefeito sobre a demora na extensão da rede para as comunidades dessa região (Queimada, Cumaru, Pinheiro, Campinas e Boa Vista), o gerente local foi direto não atender ao pedido de uso de postes de madeira. É que há mesmo uma proibição do uso desse material, somente permitido o de cimento, que é bem caro.


Há o entendimento de que, sem ações concretas na região do Acutipereira, Paulo Ferreira deverá implementar essa eletrificação, pois até agora os únicos benefícios para a região foi a estrada e uma escola na comunidade Santa Cruz. De resto, comunidades como Aparecida continua com o antigo prédio deixado por Elquias Monteiro e nunca nem pintado no governo de Pedro Barbosa. Na comunidade Tauçu não há escola, sendo utilizados prédios feitos pelos comunitários, e dizem que são alugados para a SEMED pelo valor de quinhentos reais. No Mocajatuba a escola caiu, fato narrado aqui no blog, sendo que hoje a escola funciona no centro comunitário, com divisórias feitas em PVC. Na Boa Vista, uma construção está no meio do mato. Conforme informações prestadas por moradores, os materiais de construção como tijolo, cimento e, principalmente o mais caro, o ferro foram levados para construir outra escola, fora da região do Acutipereira, salvo engano no Anapu. O próprio empreiteiro levou os materiais e a placa está lá prevendo um prazo de entrega já há muito expirado.


Depois de narrar os horrores estruturais (apenas alguns, por causa do padrão das postagens), vejo que é importante destacar a bizarrice feita contra professores e, especialmente, alunos. É o que está acontecendo na comunidade conhecida como Serraria, no Alto Acutipereira. Lá, a professora tem uma sala superlotada com 42 alunos, e a pobre da professora só falta ficar maluca. O pior é que há mistura do primeiro e segundo ciclos, tudo para evitar pagar 200 horas para a professora, que já exercer a profissão há cerca de 27 anos, concursada no período do mandato de Nancy Guedes. Os alunos dos anos finais (6º, 7º e 8º anos) estudam juntos, o que dá pra compreender o futuro incerto desses estudantes em termos de qualidade de educação, o que certamente os fará enfrentar dificuldades quando estiverem no ensino médio. 

Em relação ao número de alunos, a recomendação do diretor de ensino (tenho áudio gravado disso) é que as turmas do interior tenham 15 a 17 alunos, embora o maior número mesmo seja 25. Tal consenso da secretaria seria em face da realidade do setor rural, bem sabido que há o conhecido multiano (antiga multissérie). Compreende-se, portanto, que a situação da professora precisa ser urgentemente revisada pela secretaria de educação, com ênfase no aluno, pois este será o mais prejudicado se não houver uma ação imediata para resolver essa situação escabrosa.


No rio Mocajatuba – localidade conhecida como do Pantoja (salvo engano se chama Deus Proverá), há uma turma com 7 (sete!) alunos, funcionando os anos iniciais e as aulas, pasmem, três dias na semana. Como ficam os 200 dias letivos, heim, senhor prefeito? O professor também é prejudicado, com 30 horas! Peço que olhe com atenção ao povo do Acutipereira e não me condenem por isso, sobretudo porque essas crianças e adolescentes têm tanto direito quanto os dos outros rios, para os quais o tratamento é diferenciado, tal o número de escolas construídas. Mas, não sacudam bandeiras e pistolas, pois to sabendo de coisas horrendas dos outros rios.


Além da falta de merenda escolar, há falta de serventes para fazer a limpeza, pois a prefeitura até o momento não contratou temporários. Isso leva à constatação de que a prefeitura precisa fazer concurso público, mas como a tendência é do neoliberalismo e do clientelismo, é melhor contratar, até porque esse contrato vai ser de abril até junho, quando as serventes viverão o horror de estar novamente desempregadas, em pleno período eleitoral. O que diz a Vossa Excelência, Sr. Cezar Colares (do Tribunal de Contas dos Municípios –TCM)?


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