Estive hoje no auditório do campus
da UFPA em Breves e acabei conversando com algumas pessoas oriundas tanto de
Portel como de outras localidades. Isso me permitiu lembrar certas coisas boas
do período inicial de implantação do antigo FUNDEF, quando existia o abono com
sobra do fundo da educação, geralmente concedido no final do ano.
Entremeio a informações diversas
das coisas boas, foi-me relatada a experiência dos professores que se rebelam
contra alguns desmandos das autoridades que, achando-se soberanos e eternos,
acabam machucando as pessoas que não aceitam ditames autoritários de certos
chefetes. Em Portel, por exemplo, a punição a rebeldes vai desde a redução de
carga horária de concursados até a exoneração de servidores temporários, sem
esquecer também que o efetivo pode ser punido com a remoção para lugares bem
afastados da sede como a localidade conhecida como Só Jesus, no Alto Anapu.
Para aqueles que ostentam o poder
também há punições diversas, como a inércia no seu tempo de mando e desmando
que vai, inevitavelmente, culminar em prejuízos futuros caso alguma lei
municipal não seja implementada ou mesmo atualizada como o famoso PCCR,
documento essencial na garantia de direitos dos servidores. Nesse quesito
Portel está a muitos anos luz de uma garantia de direitos, já que o atual plano
está caduco e data do início dos anos 90 e, enquanto isso, o novíssimo plano
proposto pelo governo de Pedro Barbosa sumiu, como sumiram muitas outras coisas
até hoje nunca encontradas como o montante de 37 milhões desviados.
Noutra esteira da conversa,
constatei que havia um grupo de pessoas a retirarem para si pequenos valores,
como foi um caso ocorrido na antiga secretaria de educação, naqueles tempos
funcionava no prédio da atual biblioteca municipal. Contou-me o próprio ladrão
que, ao ser humilhado por seu chefete, prometeu se vingar. Em dado momento,
verificou que chegou um carregador com um carro de mão para apanhar merenda
escolar. Ele disse ao seu companheiro de carga e descarga que nunca houvera
antes o transporte de merenda em veículos desse porte. Resolveu, então, seguir
o carregador. Percorreu algumas ruas da cidade até o local do descarregamento.
Pasmem: foi direto para o comércio de um parente do carregador! Logo que a
descarga iniciou, o rebelde servidor funcional se dirigiu ao carregador e
disse:
- Ah, então é aqui a escola?
Ouvindo isso, o carregador ficou em
silêncio. No dia seguinte, o servidor funcional aguardou pela manifestação do
seu chefete. Como ele não esboçou nenhuma reação para tratar da gravidade do
desvio de mercadorias, o moço logo cogitou da possibilidade de tirar proveito
da malversação. Lançou mão de uma caixa de ovos (que é bem grande) e começou a
“forrar” o fundo com sacolas de arroz, outra camada de feijão, outra de leite,
até deixar a caixa bem “papuda”, como ele descrevia o volume. Com essa
gatunagem ele construiu uma casa em alvenaria e de boa qualidade. Enquanto
isso, o carregador construía uma kitchenet e, o dono da loja, ampliava o
estabelecimento. E o povo seguia feliz da vida!
Em dado momento das muitas
conversas, foi-me relatado que havia certos privilégios concedidos aos
professores que hoje não existem mais. Entre eles está uma ajuda de custo em
mantimentos e carga de gás, fator este motivado pela ausência de formação dos professores
que nesse período não dispunham de nível superior, coisa contada nos dedos das
mãos.
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